Diabetes – Por que é importante tratar?

Data da postagem: 26 de junho de 2013

Muitas pessoas ouvem falar em diabetes, mas estudos recentes demonstram que essa é uma das doenças que mais irá crescer em todo o mundo. Atualmente o Brasil ocupa uma classificação importante no Ranking Mundial com cerca de 10% da população sendo portadora da doença. O mais assustador é que a mesma pesquisa estima que para cada diabético diagnosticado exista outra pessoa que não sabe que tem a doença – desta forma esse percentual poderia ser de até o dobro.

A diabetes é uma doença muitas vezes silenciosa. Os sintomas clássicos – sede excessiva, boca seca e urina em excesso só estão presentes em cerca de metade dos casos. Soma-se a isso o fato de muitas pessoas não terem o hábito de realizar exames de rotina – principalmente a população masculina. Quando não controlada adequadamente a doença pode gerar complicações crônicas: cegueira, amputação de membros inferiores, infarto, derrames – apenas quando não controlada. Todas essas complicações são evitadas com o bom controle da doença.

Então, como começar?

Inicialmente se você tem algum familiar próximo com diabetes, a chance de geneticamente você estar exposto à possibilidade de desenvolver a doença já é maior. Atualmente através de alguns exames laboratoriais, como a dosagem da insulina e a pesquisa de alterações de exame físico como aumento da obesidade abdominal, triglicerídeos elevados, hipertensão arterial, já é possível selecionar em uma população quem são aqueles com maior risco de desenvolver a doença.

Outro ponto importante é a realização rotineira de exames laboratoriais, o chamado check up ou exame periódico. Com ele é possível detectar muito precocemente as alterações e tomar medidas preventivas.

Uma vez realizados os exames é importante definir aquilo que é normal: a glicemia em jejum deve estar menor que 100mg/dl. Entre 100 e 126mg/dl temos o pré-diabetes. Acima de 126mg/dl podemos afirmar que a pessoa é portadora de diabetes. A Sociedade Brasileira de Diabetes já recomenda o tratamento com medicamentos a partir do pré diabetes – ou seja, com glicemias acima de 100mg/dl existe a indicação de tomar remédios – além do tratamento dietético e da atividade física. Infelizmente temos encontrado pessoas com 110, 115mg/dl ainda se tratando apenas com dieta, o que aumenta muito o risco de progressão de um pré diabetes para a diabetes propriamente dita.

Existe uma infinidade de novos medicamentos disponíveis no mercado, cada um adequado para um tipo específico de paciente e somente o médico pode decidir e indicar o melhor medicamento para cada caso. Os casos mais graves de diabetes do tipo 2 e todos os casos de diabetes do tipo 1 podem requerer o uso de insulina. Da mesma forma que os medicamentos modernos, existem insulinas seguras e adequadas para cada tipo de paciente. A crença de que a insulina faz mal para o organismo e que seu uso deva ser feito apenas no final da doença não é correta, e atualmente seu uso é preconizado cada vez mais cedo na evolução da doença. Para alguns casos de diabetes do tipo 2 existe cirurgia que pode curar a doença, mas deve ser indicada caso a caso.

Enfim, embora vista como uma doença terrível, a diabetes é uma doença possível de ser prevenida, evitada, e até curada – desde que o indivíduo se antecipe realizando exames laboratoriais de rotina e tratando a doença o quanto antes. Mesmo para aqueles que já a têm, o bom tratamento garante uma qualidade de vida que nada fica devendo a uma pessoa não diabética. É possível viver bem com diabetes !

Imagem: www.shutterstock.com

 

Dr. Sidney Senhorini Jr

Endocrinologista

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