É possível conviver com o diabetes sem medicamento?

Data da postagem: 6 de setembro de 2014

Para tratamento de pacientes diabéticos, seja diabético do tipo I ou II o hipoglicemiante oral desempenha papeis importantes no processo de controle glicêmico. Logo vamos discutir sua maneira de agir e também quais poderiam ser as medidas que devemos adotar com relação ao estilo de vida, que podem proporcionar, a muitos, o controle da glicemia sem o uso do medicamento.
O diabetes tipo II é o mais comum. O desenvolvimento desta doença esta diretamente ligada ao estilo de vida do indivíduo. É uma doença que leva anos para se manifestar, mas muitos têm e não sabem, já que ela é chamada de doença silenciosa. Alguns infelizmente descobrem a doença quando as comorbidades ou doenças associadas já estão aparecendo. As principais doenças associadas são: insuficiência renal, cegueira, dislipidemia (aumento do colesterol e triglicérides), obesidade (o diabetes pode favorecer o ganho de gordura corporal, mas promove a redução de músculo), hipertensão e maior risco para desenvolvimento de doenças cardíacas e câncer.
O risco de morte entre as pessoas com diabetes é cerca do dobro das pessoas da mesma idade sem diabetes. Devemos uma vez ao ano fazer o tão recomendado check-up de fim de ano. Somente com a investigação o diabetes será diagnosticado a tempo de fazermos uma intervenção que surta o resultado esperado.
Depois da descoberta da doença, geralmente, o inicio do tratamento é medicamentoso. O medicamento mais utilizado é a metformina. Muitos se conformam e não promovem mudanças no seu estilo de vida, estes continuarão usando medicamentos até o ponto de precisar trocar o medicamento pela insulina.
A metformina pode agir através de três mecanismos:
1. na redução da produção da glicose hepática através da inibição da gliconeogênese (formação de glicose pelo organismo) e glicogenólise (quebra dos estoques de glicose feito pelo organismo);
2. no músculo, através do aumento da sensibilidade à insulina, melhorando a captação e utilização da glicose periférica;
3. no retardo da absorção intestinal da glicose.
A metformina estimula a síntese de glicogênio (reserva de glicose) intracelular atuando na síntese de glicogênio e aumenta a capacidade de transporte de todos os tipos de transportadores de glicose de membrana (GLUTs) conhecidos até hoje.
Vejamos agora como mudanças no estilo de vida podem trazer os mesmos resultados:
1. a substituição dos alimentos refinados por alimentos integrais reduz o estímulo para produção de glicose pelo organismo. Consequentemente a menor quantidade de glicose circulando na corrente sanguínea gera menor estímulo para produção de gordura devido à redução da quantidade de insulina circulando no organismo.
2. a atividade física aumenta a necessidade de glicose no interior da célula muscular, favorecendo a captação da glicose por melhorar a sensibilidade à insulina. O metabolismo mais ativo gasta mais calorias e ajuda no controle da glicose e do peso corporal.
3. o uso de alimentos integrais e de baixo índice glicêmico (velocidade que o carboidrato é absorvido) diminui a velocidade de absorção da glicose no intestino. Quanto menor o índice glicêmico do alimento menor é a produção de insulina, favorecendo o controle da glicose, do peso e não gera sobrecarga de trabalho ao pâncreas, órgão responsável pela produção da insulina.
Se você promover as mudanças que citamos acima assim que o diabetes for descoberto, em muitos casos, o medicamento não será necessário.
Tudo é uma questão de escolha, espero que tenha ajudado você fazer a escolha certa.

[Foto: Shutterstock]

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